Categoria: Sua Luta

Para que nunca mais haja Holocausto

Há 73 anos, no dia 27 de janeiro de 1945, tropas da União Soviética, em sua avassaladora ofensiva em direção a Berlim, o centro do poder nazista, invadiram e libertaram o complexo de 48 campos de concentração de Auschwitz, na Polônia, revelando ao mundo cenas de horror que, ainda hoje, desafiam sensibilidades e mostram do que é capaz o ódio quando transformado em política de Estado. Foram necessários, porém, 60 anos de exibição das atrocidades ali praticadas para que a Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2005, aprovasse resolução declarando aquela data o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto.

Infelizmente, a natureza humana, até num gesto involuntário de autoproteção, tende a eliminar gradualmente da memória as situações desagradáveis. O mundo inteiro se chocou quando, diante do Tribunal de Nuremberg, que julgava os chefões nazistas, o primeiro comandante alemão de Auschwitz, Rudolf Hoess, declarou que só ali, nas câmaras de gás e por maus tratos, haviam morrido três milhões de pessoas. Somados, os “campos da morte” do nazismo, espalhados por nações ocupadas e na própria Alemanha, perseguiram e assassinaram cruelmente seis milhões de judeus, entre eles, 1,5 milhão de crianças e outras minorias como ciganos, homossexuais, deficientes físicos, negros e Testemunhas de Jeová. Mas, gradualmente, a lembrança dessa gigantesca tragédia, mesmo constantemente reprisada por dezenas de livros e documentários de cinema e televisão, vai-se esmaecendo, apesar da decisão da ONU, que visava exatamente ao não esquecimento, para que a menção constante aos horrores mantivesse presente a necessidade de evitar a sua repetição.

Não se sabe se o escritor colombiano Gabriel García Márquez pensava nisso quando cunhou a linda frase “É fácil esquecer para quem tem memória; difícil esquecer para quem tem coração”. Auschwitz e outras horrendas lembranças do Holocausto podem, eventualmente, escapar das memórias. Porém, jamais deixarão os corações, não apenas de quem viveu a tragédia através da perda de famílias e amigos, mas, especialmente, de quem se atribui a responsabilidade de manter viva, geração após geração, as imagens da perversidade humana levada aos seus extremos. Dois anos após a guerra, a Polônia, uma das maiores vítimas das atrocidades, criou, ali mesmo, o Museu do Holocausto. Desde então, mais de 30 milhões de visitantes já passaram pelos portões de ferro da entrada, encimados pela infame frase “O trabalho liberta”.

Mas, acredito, é muito pouco, e, insisto nisso, a única forma de evitar a repetição de tais tragédias coletivas é recordá-las incessantemente, mês após mês, ano após ano. Além do mais, porque, volta e meia, ressurgem, no horizonte, sinais do restabelecimento de ódios raciais, extremismos de comportamento e ideologias sectárias, que formaram o caldo de cultura do qual o nazismo se alimentou e cresceu até deflagrar a guerra em grande escala e seu cortejo de horrores. Na Áustria, a extrema-direita xenófoba já chegou ao poder e exige intensa vigilância das organizações dedicadas à proteção dos direitos humanos. Mesmo na rica e poderosa Alemanha, que se supunha exorcizada do demônio do racismo, ressurgem, vigorosas, organizações de pensamento similar ao da era hitlerista que, igualmente, requerem vigilância das forças democráticas e moderadas.

A lembrança de tanta dor e sofrimento, além dos corações e das mentes, precisa ser, também, incorporada materialmente ao dia a dia de cada um de nós. Esse é o sonho que me anima quando, junto com a prefeitura do Rio e outros setores da sociedade, nos empenhamos na construção de um monumento às vítimas do Holocausto, no Morro do Pasmado, dedicado à preservação da memória daquele período de trevas. São Paulo e Curitiba já têm o seu, e o Rio não ficará, também, sem render tributo a tantos milhões de pessoas que perderam as vidas cruelmente e que não podem ser esquecidas. Não descansarei enquanto esse sonho, idealizado há 20 anos pelo deputado Gerson Bergher, não se concretizar.

Teresa Bergher é vereadora (PSDB) no Rio e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara

Link da matéria publicada no Jornal Globo, clicando AQUI.

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Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos lança a pedra fundamental do Memorial às Vítimas do Holocausto

Um dos maiores desejos do Deputado Gerson Bergher está se realizando. Uma obra pela qual dedicou, pelo menos, os últimos 25 anos de sua vida. Um marco importante para lembrar às futuras gerações os males do totalitarismo aliado aos mais vis sentimentos humanos de desprezo e discriminação do homem pelo próprio homem.

O Memorial do Holocausto vai virar realidade. No dia 14 de Julho, uma sexta-feira pela manhã, o prefeito Marcelo Crivella e a então secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Teresa Bergher descerraram a placa da Pedra Fundamental do Monumento às Vítimas do Holocausto, no Parque Yitzhak Rabin, em Botafogo.

A construção do memorial insere a cidade do Rio de Janeiro entre as grandes metrópoles do planeta que rendem homenagens às vítimas do genocídio nazista, como Paris, Berlim, Nova York, Washington e Londres. Em seu discurso, Crivella lembrou do idealizador do Memorial, o deputado Gerson Bergher, morto em 2016. Para o prefeito, a execução da obra sob sua gestão, depois da recusa de seus antecessores em tocar o projeto, simboliza o compromisso da Prefeitura com a igualdade e o respeito aos povos.

– A maior homenagem que podemos prestar aos seis milhões de judeus mortos pelo nazismo é bradar ao mundo: Holocausto, nunca mais!, afirmou Crivella.

O monumento terá 22 metros de altura. Na sua base estará escrito um dos Dez Mandamentos: “Não Matarás”.

– O Memorial é um marco de resistência contra o esquecimento; pois, sete décadas depois, o mundo continua matando inocentes e deixando muitas crianças órfãs, disse Teresa Bergher.

Quando o arquiteto André Orioli apresentou o projeto vencedor do concurso promovido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil, em 1988, jamais poderia imaginar que hoje esta frase seria tão atual. A obra rende homenagens às vítimas do massacre nazista contra judeus e outras minorias durante a Segunda Guerra Mundial; mas serve, sobretudo, para nos lembrar da importância de uma cultura de paz e tolerância.

– Quando idealizamos o projeto, meu marido Gerson e eu fomos ao Museu do Holocausto, em Jerusalém. A direção apoiou a iniciativa e prometeu de nos enviar objetos pessoais das vítimas para o acervo, como roupas e sapatos. Vou tentar trazer também um vagão de um dos trens que os levavam para os campos de concentração. Este monumento é uma luta antiga. O massacre de seis milhões de judeus não pode ser esquecido. É como se matassem todos os habitantes da cidade do Rio de Janeiro, sem contar vítimas de outras minorias”, afirmou Teresa Bergher.

Além do prefeito Marcelo Crivella e da secretária Teresa Bergher, a cerimônia contou com as presenças do presidente da Federação Israelita, Herry Rosenberg, do cônsul honorário de Israel, Osias Wurman, do ativista do fundo comunitário, Bernardo Griner, de representantes da ARI e Fierj, de crianças da rede municipal de ensino e das escolas judaicas, sobreviventes do Holocausto, judeus, e outras minorias vítimas da perseguição do nazismo, como ciganos, homossexuais, deficientes físicos e testemunhas de Jeová.

Também presente ao evento, o Embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelly, se disse bastante emocionado:

– Devemos lembrar sempre do Holocausto. Só assim, o mundo vai evitar repetir esse horror no futuro.

Durante a cerimônia, o arquiteto André Orioli apresentou o projeto, com exibição de vídeo com depoimentos de sobreviventes do Holocausto e, logo depois, houve a leitura do manifesto dos combatentes do Gueto de Varsóvia.

Financiado exclusivamente com recursos privados, o Memorial do Holocausto será construído no alto do Mirante do Pasmado, e contará com anfiteatro, galeria para exposição e sala de mídia digital. O monumento terá 22 metros de altura e na sua base estará escrito um dos Dez Mandamentos: “Não Matarás”. A construção está prevista na Lei 4665, promulgada em 2007, de autoria de Teresa Bergher. O local terá rampas de acesso, área para solenidades, galeria circular com três divisões, abrigando a galeria da Memória, com 300 m², espaço de mídias interativas de 182 m², auditório para 130 pessoas, copa, administração e sala de reuniões.

A banda da Guarda Municipal encerrou a solenidade.

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Yom HaAtzmaut

Este mês comemora-se o 69º Aniversário do Estado de Israel (Yom HaAtzmaut). Em homenagem a esta data tão importante relembramos alguns dos momentos mais importantes em cerimônias realizadas na Câmara dos Vereadores por Gerson e Teresa Bergher, ao longo de mais de 20 anos.

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A Luta de Gerson Bergher

Gerson recebe a ex-primeira dama de Israel, Lea Rabin, para a inauguração do busto de seu marido Yitzhak Rabin, em 1996, no Mirante do Pasmado, atual Parque Yitzhak Rabin.

Gerson Bergher sempre lutou contra todos os tipos de discriminação, como o racismo, o preconceito religioso, social e o nazismo, em todos os momentos de sua vida, desde a infância, passando por sua formação como médico psiquiatra renomado, culminando em sua longa e vibrante atuação política.

Podemos rememorar grandes exemplos de seu corajoso posicionamento em vários momentos do Programa Eu & Você, em algumas das principais emissoras do Estado do Rio de Janeiro; em esclarecedoras entrevistas e matérias realizadas, discursos contundentes e educativas crônicas, sobre alguns dos temas mais oportunos e polêmicos, ao longo de mais de duas décadas em mais de 500 programas exibidos.

Traremos aqui vários desses belos momentos, que exemplificam a amplitude de temas e a firmeza das idéias e ações desse grande brasileiro, carioca e judeu.

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Memorial às Vítimas do Holocausto

Gerson Bergher e o arquiteto André Orioli, vencedor do concurso realizado pela Prefeitura do Rio, em 2000.

Projeto a que se dedicou por longos anos, especialmente os últimos 16 de sua vida, desde a realização, por sua iniciativa, de um concurso realizado pela prefeitura do Rio de Janeiro na gestão de Luis Paulo Conde, para a sua construção, o Memorial às Vítimas do Holocausto legou à comunidade carioca, engajada nas causas democráticas e de herança contra o nazismo e de qualquer outra forma de discriminação e dominação pela força bruta, a missão de colocar em prática o último grande desejo de Gerson Bergher: finalmente realizar esta obra em local de boa visualização, fácil acesso e estrutura turística.

Depois de ter o primeiro local escolhido, na enseada de Botafogo, e sua terraplanagem iniciada, houve um retrocesso e as obras foram paralisadas. Apresentou-se a opção do monumento ser transferido para o Morro do Pasmado, que já recebera, também por iniciativa e luta de Gerson Bergher, o busto de Yitzhak Rabin, no parque de mesmo nome. Uma opção bastante coerente e justa, tendo sido apresentado pelo arquiteto André Orioli, autor da proposta original vencedora, o projeto de adaptação topográfica. Devido à divergências com o poder público da época, aventou-se até a hipótese de o Memorial ser construído no Bosque de Jerusalém, mas depois de mais de uma década chegou-se ao consenso quanto ao uso do deslumbrante cenário do Morro do Pasmado poder abrigar essa obra de grande valor simbólico, turístico e humanitário.

Aguardemos ansiosos e vigilantes a sucessão dos próximos acontecimentos.

Aqui podemos relembrar alguns momentos históricos e aspectos visuais desse projeto que, quando concluído, enriquecerá ainda mais o espaço urbano carioca e fará jus ao legado de perseverança, compromisso com as origens e o propósito da vida de Gerson Bergher.

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